Quarto Encontro: Estruturas de um texto; técnicas de escrita - o que guardar, o que lançar ao fogo? Começos e finais; Personagens; Diálogos, monólogos, rubricas; Dramaturgia da Cena; Livros e possibilidades dentro e fora da caixa.

Quando: Segunda-feira, 31 de julho de 2023.

Onde: On-line.

Observações dos participantes:

Luiz Felipe Botelho: O primeiro exemplo que me vem à mente é a estrutura das tragédias gregas. Com exceção das polêmicas em relação à unidade de tempo e das tentativas de engessamento da exploração das possibilidades da cena, os elementos básicos – não necessariamente essenciais – de estruturação de um texto são usados até hoje: divisões em atos, cenas e unidades, definidos, na maioria dos casos, segundo critérios de mudanças de espaço, tempo e clima. A estrutura de um texto pode ser objeto de análise de uma obra pronta ou escolha estética de parâmetros para criação de uma obra nova. Neste caso, a criação se subordinará à estrutura. No meu caso, na maioria das vezes, a estrutura decorre da história que quero contar, do modo como o conteúdo da mesma me atinge e da maneira como quero levar o personagem através dos caminhos daquela história. O texto pode seguir ou não uma linearidade temporal, segundo o interesse do autor em salientar situações específicas da trama e/ou causar efeitos emocionais no modo como revela fatos importantes da narrativa numa ordem não linear.

Por que me considero Pirandelliano? Por conta da seguinte fala da peça “Seis personagens à procura de um autor”. Nessa fala, através do personagem do Pai, Pirandello compartilha conosco algumas conclusões sobre sua relação com o processo de desenvolvimento de personagens:



Diálogo entre os participantes:

Luiz Felipe Botelho: O novo é novo?

Djaelton Quirino: O erro é um salto.

Luiz Felipe Botelho: O que é o erro? Eu preciso ter cuidado, para que às vezes a criação não fique subordinada a uma estrutura prévia. É preciso equilibrar os fluxos de ideias.

Djaelton Quirino: Para mim, o texto e a estrutura vêm como ideia. Às vezes utilizo a estrutura da jornada do herói para construir um texto. O que eu quero contar se encaixa nessa estrutura. Foi assim, com uma estrutura fragmentada, que escrevi Antimáquina que Sustenta o Voo.

Luiz Felipe Botelho: No meu caso, a estrutura não antecede a criação.

Djaelton Quirino: Escrevi como se fosse uma ficção de dentro para fora.

Luiz Felipe Botelho: Um experimento que fiz, sobre a elaboração de um texto chamado A Praça Camerino (que também é o nome do meu pai), partiu do afetivo e da despreocupação sobre o que falar.

Djaelton Quirino: Eu gosto também das escritas que partem de um mote, de uma música, de um poema, de um relato. Tudo isso inspira minha escrita. Nada vem do nada!