Segundo Encontro | Debates sobre os primeiros textos, desejos, frustrações
Segundo Encontro: Debates sobre os primeiros textos, desejos, frustrações
Quando: Quinta-feira, 20 de julho de 2023.
Onde: On-line.
Textos Lidos
- Visita Mortal - Texto na íntegra
- Romeu e Julieta - Texto na íntegra
Romeu e Julieta - Igual ao Outro Só que Diferente de Djaelton Quirino
Sinopse: Romeu é da família Raviolli, Julieta dos Capelleti: famílias inimigas, assim como no clássico Shakespereano, e os personagens estão fadados a seguir um destino tragicômico. A diferença é que esta história será contada por uma trupe teatral totalmente atrapalhada.
Visita Mortal de Luiz Felipe Botelho
Sinopse: A morte bate à porta de um casal para levar um deles com ela, mas há uma lógica resistência, o que torna a tarefa da morte mais difícil do que deveria parecer.
Apontamentos:
- Pontos destacados sobre o texto de Luiz Felipe, Visita Mortal.
- Carol: destaca a figura do “Líbero”, tanto no futebol como no vôlei, como sendo uma figura que transita e de alguma forma, não tem lugar fixo. É uma figura que está em trânsito; também comenta sobre Elvira que a fez visualizar uma personagem da cultura pop.
- Djaelton: destaca o texto de Felipe pela estrutura simples que comunica e diz a que veio.
- Mônica: destaca o nome da personagem que, ao ser “esquecido” o seu acento gráfico, como também a junção dos dois nomes próprios, a levou à compreensão daquele que “libera fontes” e abre a cabeça para outros entendimentos e outras possibilidades de mortes e ressurreições diárias.
- Pontos destacados sobre o texto de Djaelton, Romeu e Julieta, igual ao outro, só que diferente.
- Luiz Felipe: destaca do texto o modo como foi tocado pela sinestesia, chegando a visualizar cores e movimentos a partir das imagens que a leitura do texto provocou; destaca também, a partir da leitura do texto de Shakespeare, Romeu e Julieta, Dja compreendeu o essencial do texto e fez um trânsito entre os contadores de histórias épicas e os bufões.
- Mônica: destaca que, no título, o texto já diz a que veio, é igual só que diferente, e a presença do brincar com textos clássicos, reescrevendo-os a partir de suas perspectivas e experiência.
OBS: Nos dois textos foi observado por todos a existência da subversão da morte. Em Visita Mortal, o personagem recebe a morte em casa. Em Romeu e Julieta, diferente de Dja, existe a morte das personagens de fato.
Luiz Felipe Botelho: O encontro de hoje foi o primeiro no qual pudemos falar um pouco de cada um de nós. Eu e Djaelton, por força dos próprios objetivos do projeto, tivemos mais tempo e oportunidade de fala, já que o “nós”, neste caso, também significa a dinâmica sertão-mar proposta a partir de nosso trabalho enquanto dramaturgos. Mas, como acontece quando experiências tão sensíveis são compartilhadas, tanto Caroline quanto Mônica também foram provocadas e envolvidas, como criadoras que são. Algo muito intenso e rico sempre decorre dessa disponibilidade para falar dos nossos modos de criar arte e ser artistas, especialmente num espaço de confiança, respeito e admiração mútua. E isso, mais uma vez, ficou muito evidente hoje.
TERRITÓRIOS GEOGRÁFICOS E AFETIVOS – ONDE NOS ENCONTRAMOS DE FATO?
Carol: Os lugares são referências geográficas e afetivas, impulsionando as paisagens imagéticas para a escrita. Luiz Felipe Botelho seria um dramaturgo com o olhar de Recife e que mora no litoral, assim como Djaelton Quirino, um olhar do sertão e que mora em Arcoverde.
Carol: Como você define “temas” para a escrita? Eu gosto de usar a escaleta.
Luiz Felipe: Tópicos e ideias para a escrita, como mapas mentais que podem guiar o/a autor/autora; cartões de resumo das cenas que vão se encadeando; as criações e as linhas do tempo; as conduções das personagens na escrita; Luigi Pirandello sugere que o texto seria centrado nas personagens, é a personagem quem escreve, não o autor/a; após o texto pronto, Luiz Felipe se põe em trânsito, entre o dramaturgo e o espectador que vai ler o texto.
Quais as “origens” e o impulso inicial para a escrita? Como se dá o encontro e o método para escrever?
Djaelton: Passada a fase da autocensura e da autocrítica, os textos surgem como desculpas; existe um desejo de “brincar” com os textos; além de escrever alguns textos para determinados atores/atrizes que pertencem ao grupo surge assim, uma “dramaturgia com direção”, quando o autor é o dramaturgo e o diretor do grupo; além de colocar o riso como protagonista nos textos, rindo para viver, e o riso é provocação da vida – eu existo e eu vivo. Após essa parte dos julgamentos, se permitiu “roubar” de algum lugar e roubou de Shakespeare para criar seu texto, é importante ter um lugar para roubar. O que eu escrevo é uma “DRAMATURGIA DE CARNE E OSSO”.
SUGESTÕES DE TEXTOS, LIVROS E OUTROS:
- A Mente Capta, de Mauro Rasi
- Livro de Criatividade de Samir Curi Meserani
- Roube como um Artista de Austin Kleon
