Terceiro Encontro: Temas dos textos – é possível falar de tudo no teatro; adaptação, inspiração, plágio, reinvenção, hibridismo; Teatro Contemporâneo – Escrever ou não escrever, eis a questão; Banco de Textos

Quando: Quinta-feira, 27 de julho de 2023.

Onde: On-line.

Antes do encontro foram compartilhados textos para a leitura e no encontro foram debatidas as formas e as ideias presentes nas escritas.

Textos lidos:

Sinopse: Cervantes ao morrer chega à Terra do Imaginário, uma espécie de Campos Elísios em que vivem seus personagens mais icônicos, Dom Quixote e Sancho Pança. A morte é o esquecimento de quem se é. Assim, para relembrar seus grandes feitos em vida e poder seguir seu caminho no além, Cervantes precisará reviver sua história com o auxílio do Cavaleiro Andante e seu escudeiro.

Sinopse: Drama sobre a vida do primeiro casal a ir para Marte, dois brasileiros escolhidos em uma seleção sigilosa.

videochamada discussão sobre o tema com os integrantes do projeto

Observações dos participantes:

Luiz Felipe Botelho: O espaço-tempo das narrativas quixotescas se estabelece rapidamente. A poesia vem forte no texto e toma conta da ação desde o início. Djaelton incorporou o poético como uma qualidade de seu processo de criação. Já não precisa racionalizar para que a poesia se construa na cena. Apenas começa a escrever e deixa que ela jorre através do teclado. (Observações do dramaturgo Luiz Felipe Botelho, sobre o texto de Djaelton Quirino Andaluz ou O Cavaleiro e a Triste Figura).

Luiz Felipe Botelho: Reli esse texto com Mônica, em voz alta. O que começou de um modo quase burocrático e racional, com um olhar analítico pesando mais que a leveza de simplesmente curtir a leitura, logo se desvaneceu. E, já na segunda ou terceira página, fomos tomados pela vontade de “brincar” de ser outros em outros lugares e situações. E que bom que foi assim! Assim, um texto relido após longo tempo permite ao(à) leitor(a) observar, com certo distanciamento emocional, como aquela obra o afetou e quais qualidades se destacam. O(a) autor(a) pode experimentar a curiosa sensação de estar lendo a obra de outra pessoa. Essa condição é muito útil para ajudar o(a) autor(a) a ter uma noção de como os leitores reagiram diante daquela obra. Mais do que isso, permite se certificar do que realmente funcionou no texto criado e propor a si, com mais segurança, aplicar alterações e complementações que lhe pareçam necessárias. (Observações do dramaturgo Luiz Felipe Botelho, sobre o texto Primitiva Eternidade).

Djaelton Quirino: O que fazemos com a morte e com a vida? O teatro não é ficção científica? É possível falar de tudo na escrita dramática? Essas questões me chegam após a leitura do texto de Felipe (Primitiva Eternidade) e me animam em perceber o quanto pode a linguagem dramática e o quanto há de se explorar ainda. A ficção científica é uma linguagem pouco explorada na dramaturgia e o modo como Felipe aborda me faz ver possibilidades mil de jogar com ela. Gosto da referência que tem ao filme 2001 - Uma Odisseia no Espaço através da inteligência artificial da nave e como os tempos da história são entrecortados por outras épocas dos personagens, brincando com essa questão temporal que também é marca da ficção científica e que já foi objeto de estudo de Felipe no livro dele (O Jogo do Ilimitado).

Carol Arcoverde: A escrita solar de Dja e a escrita lunar de Felipe.